MundoBola Flamengo
·25 février 2025
Campeonato Carioca: apesar do Flamengo, um produto em decomposição
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MundoBola Flamengo
·25 février 2025
Ano passado mostramos como a FERJ havia sido a verdadeira campeã da Taça Guanabara. Este ano vamos além. Muito além. A equipe da nossa coluna analisou o resultado financeiro de todas as 66 partidas da Taça Guanabara 2025 para trazer um diagnóstico completo da competição.
Para início de conversa, é importante ter dois pontos em mente:
1. O borderô não é um documento perfeito. Há receitas que não aparecem ali, como as de bares e estacionamento, por exemplo. Também há despesas que devem ser relativizadas, como os aluguéis que Flamengo e Fluminense pagam ao consórcio formado por eles mesmos na proporção 65/35. Enfim, o borderô não apura o resultado com 100% de precisão, mas chega bem perto disso.
2. Diferentemente do que ocorre em todas as competições do calendário profissional, a receita de bilheteria não é 100% do mandante. No Carioca, ela é dividida assim:
Dito isso, veja a tabela abaixo.
A federação nunca perde. Em todos os 38 jogos envolvendo pelo menos um grande, a FERJ recebeu aproximadamente 10% da receita bruta de bilheteria, o que colocou quase R$ 3 mi em seu bolso, mesmo em um campeonato com jogos majoritariamente deficitários.
Desses 38 jogos com pelo menos um grande, 11 foram vendidos para um produtor, que pagou cotas fixas aos clubes. Das 27 partidas restantes, 20 deram prejuízo. Desses 20 jogos, um foi o clássico Botafogo x Fluminense. Os outros 19 foram jogos de Flamengo (1), Vasco (4), Fluminense (7) e Botafogo (7) contra pequenos.
O combo Estadual + Maracanã foi cruel com o Fluminense, que acumulou mais de R$ 700 mil em prejuízo com bilheteria. Isso poderia ter sido pior se não tivesse recebido R$ 350 mil para jogar contra o Madureira no ES e R$ 750 mil para encarar o Vasco no DF. Dos 9 jogos restantes, apenas o Fla-Flu não foi deficitário.
Jogador do botafogo é cercado por jogadores do Fluminense: prejuízo no Estadual 2025. Foto: Divulgação / Botafogo
Com o Botafogo não foi muito diferente, mas a SAF de John Charles Textor sofre um pouco menos com os custos operacionais do Engenhão. A empresa teve prejuízo em 8 dos 11 jogos, exceção feita aos clássicos contra Flamengo e Vasco, além da partida contra o Madureira no ES, quando recebeu um cachê de R$ 600 mil. No fim das contas, restou pouco mais de R$ 30 mil de prejuízo, bem abaixo dos R$ 500 mil do ano passado.
O fato de ter ficado de fora da Taça Rio também foi, do ponto de vista financeiro, algo muito positivo. Afinal, as 8 partidas jogadas nessa competição em 2023 e 2024 acumularam um prejuízo de R$ 760.224,84.
O quadro acabou ficando assim:
As cotas fixas pré-fixadas tiveram papel fundamental para a receita dos clubes. O Flamengo recebeu R$ 6.060.000,00 em cotas (4 de R$ 640 mil, 1 de R$ 2M e 1 de R$ 1,5M). O Vasco R$ 2.000.000,00 (2 de R$ 750 mil e 1 de R$ 500 mil), o Fluminense R$ 1.100.000,00 (1 de R$ 750 mil e 1 de R$ 350 mil) e o Botafogo R$ 600.000,00 em um único jogo.
Ainda assim, mais uma vez a “equipe” FERJ bateu o Vasco e ficou em segundo lugar. O curioso é que, em que pese a receita do Flamengo ter aumentado mais de R$ 2 mi, a da federação teve uma queda considerável. Veja a comparação entre 2024 e 2025 no gráfico abaixo.
Por que isso aconteceu? A explicação está nos jogos fora do Rio. A demanda reprimida que existia em 2024 não existe mais. Os clubes receberam “cachês” extremamente elevados, mas entregaram muito pouco. Os promotores erraram na precificação e vários jogos tiveram públicos pífios. A FERJ, que em 2024 mordeu várias rendas milionárias, esse ano viu seus filiados receberem cotas altíssimas, enquanto a receita real das partidas foi baixa.
Quer um exemplo? Apenas no primeiro jogo do Flamengo em 2024, a FERJ ficou com R$ 650 mil da bilheteria recorde na Arena da Amazônia, enquanto o clube ganhou R$ 1,3 mi. Este ano, o Flamengo ganhou R$ 2 mi para jogar em Manaus, mas a renda bruta não chegou a R$ 2,5 mi, fazendo a federação levar “apenas” R$ 230 mil.
Aliás, os jogos do Flamengo fora do Rio, especialmente os 3 primeiros, foram muito mal precificados e tiveram públicos pífios. Isso não afetou financeiramente o clube, mas a FERJ sentiu. Veja o gráfico abaixo, que representa de onde vem o dinheiro da federação. Observe como a fatia do Flamengo diminuiu. Em tempo, nos clássicos, eu peguei o valor da taxa da federação e lancei 50% para cada clube.
Aqui vai um palpite: aposto que, para o próximo ano, a FERJ vai passar a cobrar 10% da renda bruta + um percentual da cota de cada time. É bem a cara dela.
Bem, faltou falar dos jogos entre os pequenos. Para surpresa de absolutamente ninguém, todas as 28 partidas foram deficitárias. E olha que nessas partidas a FERJ não morde nada. Então os pequenos tiveram prejuízo, certo? Errado! Veja o gráfico abaixo:
Apesar dos jogos no vermelho, os pequenos, com exceção do Sampaio Corrêa, tiveram resultado positivo com bilheteria, já que, somados, eles receberam R$ 3.200.000,00 em cotas para atuar fora do Rio. Desse valor, R$ 2.400.000,00 (75%) vieram em jogos contra o Flamengo.
No total, os promotores que compraram os jogos pagaram R$ 12.960.000,00 em “cachês” para os clubes. R$ 9.760.000,00 para os 4 maiores e R$ 3.200.000,00 para os 8 menores.
Agora veja que curioso: o campeonato é tão desinteressante, que se você somar aos “cachês” as bilheterias dos outros 55 jogos, o valor diminui. A receita dos grandes cai para R$ 8.581.765,92, a dos pequenos para R$ 2.421.317,15 e a geral fica em R$ 11.003.083,07.
No fim das contas, o campeonato foi salvo pelos jogos vendidos a promotores, mas isso não irá se repetir em 2026, sabe por quê?
Considerando os dados dos borderôs como verdadeiros, apenas 3 dos 11 jogos comprados deram lucro. No total, os organizadores acumularam um prejuízo de R$ 5.027.773,55.
Me parece bastante improvável que os clubes recebam propostas tão altas como as dos últimos anos.
Para concluir, deixo algumas curiosidades.
Por hoje é só. Gostou do conteúdo e odeia o estadual (pelo menos nesse formato)? Compartilhe com os amigos e mostre como ele é ruim.
SRN.