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Território MLS

·29 de março de 2025

André Jardine deve dizer não à Seleção — por enquanto

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Dias após a humilhante derrota do Brasil por 4 a 1 para a Argentina nas Eliminatórias da Copa do Mundo, André Jardine, técnico do Club América, virou assunto nas redes sociais como possível substituto para Dorival Júnior, demitido nesta sexta-feira.

Apesar dos rumores intensos, Jardine tratou de esfriar a especulação rapidamente:


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“Esse dia de dizer adeus parece muito distante. Estou bem estruturado aqui.”

Não foi apenas um discurso para agradar. O treinador brasileiro comanda o Club América em uma das fases mais dominantes da história recente do clube: são três títulos consecutivos da Liga MX, liderança do Clausura 2025 com 27 pontos, e um elenco coeso moldado por um sistema de alta pressão e flexibilidade tática.

Em 101 jogos à frente do América, Jardine conquistou 59 vitórias, transformando o time mexicano em uma potência estável num continente marcado por instabilidade.


De Tóquio ao topo da Liga MX

O trabalho de André Jardine na base da CBF também não passa despercebido. Foi ele o técnico que conduziu a seleção olímpica brasileira ao ouro em Tóquio 2020, elevando seu nome no radar da elite mundial. No entanto, há uma enorme diferença entre liderar uma equipe sub-23 e comandar uma Seleção Principal, especialmente uma com nomes como Vinícius Júnior, Rodrygo e Raphinha, todos atuando em alto nível na Europa.

A comparação entre seu momento no México e o cenário da Seleção é inevitável. O Brasil vive um ciclo marcado por instabilidade tática e alta rotatividade: Fernando Diniz teve um início promissor, mas caiu após maus resultados; Dorival, com mais experiência, não resistiu a uma sequência ruim diante de rivais históricos.


Botafogo tentou e falhou

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Foto: Divulgação/Club América

Nos bastidores, o nome de André Jardine também chegou a ser ventilado no Botafogo, campeão da Libertadores e do Brasileirão. O clube sondou o treinador no início do ano, mas ele optou por permanecer no México. O time carioca então fechou com Renato Paiva.

A fidelidade ao projeto no América revela algo raro: convicção e autonomia, dois atributos difíceis de encontrar em cargos de alto risco como o comando da Seleção Brasileira.


Por que André Jardine deve recusar a Seleção?

A resposta pode estar na estrutura. A CBF oferece pouca estabilidade, alto grau de interferência política e quase nenhuma margem para erro. Jardine, por sua vez, comanda no México uma equipe em que o projeto é seu — e de mais ninguém.

Na Seleção, herdaria um elenco que ainda não atingiu o ápice esperado, com uma geração promissora que pode se transformar em um fracasso coletivo.


Portas abertas, mas não agora

O nome de Jardine voltará certamente a circular em um futuro próximo — especialmente se o Brasil continuar tropeçando em 2025 ou fracassar na Copa. Aos 44 anos, o técnico continua escrevendo os primeiros capítulos de sua trajetória internacional, e o que está fazendo no Club América já é suficiente para colocá-lo entre os treinadores brasileiros mais respeitados da atualidade.

Por ora, Jardine prefere o controle e a continuidade de um projeto vencedor no México ao risco e ao ruído de uma Seleção que, hoje, tem mais problemas do que soluções.

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