Zerozero
·26 de fevereiro de 2025
De cabeça e corpo nas «meias»
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Zerozero
·26 de fevereiro de 2025
O Benfica aproveitou um desinspirado SC Braga, especialmente no ataque, aproveitou uma 1ª parte muito bem conseguida, que pecou pela ineficácia, e venceu os Gverreiros por 1-0, carimbando o passaporte para as meias finais da Taça de Portugal. Aí, vai defrontar o Tirsense, do Campeonato de Portugal.
Estava em jogo uma vaga nas meias finais da Taça de Portugal e a Luz era palco deste duelo. Do lado do Benfica, o treinador Bruno Lage promovia a rotação esperada, chamando os habituais titulares, mas com destaque para a titularidade de Dahl, além de Carreras. Já do lado do SC Braga, Carlos Carvalhal promovia apenas uma alteração no onze inicial, chamando Racic para o lugar que pertencia a Gharbi.
Apesar do horário nada convidativo, a Luz apresentava uma casa bastante simpática para este jogo da Taça de Portugal. Dahl, a «surpresa» de Bruno Lage no onze inicial, trazia toda uma dinâmica interessante ao Benfica, taticamente falando: com bola, os encarnados construíam em 4x3x3, com o sueco a juntar-se ao meio campo; sem bola, este baixava para a posição de ala e Carreras assumia o central da esquerda (mais próximo do visto em alguns dos últimos jogos).
Perante isto, notava-se claramente um Benfica mais dinâmico com bola, a assumir a responsabilidade e a tentar furar a linha de cinco (Ricardo Horta a baixar e a ficar muito longe dos processos ofensivos) montada pelo SC Braga na defesa - Gverreiros estavam com linhas recuadas e a apostar na velocidade de elementos como Chissumba e Roger Fernandes. Não foi, por isso, de estranhar, que os encarnados aproveitassem essa escassez criativa bracarense - úncio perigo foi criado num canto, por Racic, aos 24' - para criar do outro lado.
O tridente ofensivo das águias ia-se mostrando ativo, implementando algumas permutas posicionais e diagonais - especialmente Akturkoglu, na direita - e cabia a Kokçu ser o maestro do meio campo e lançar esses elementos. O Benfica conseguiu aproveitar esses movimentos - e alguma desorganização defensiva do SC Braga quanto à zona de pressão - e criou boas chances, mas ia esbarrando na ineficácia (atirou ao poste logo aos 6', por Akturkoglu) e em Hornicek, na baliza.
Contudo, o tão aguardado, pelas bancadas da Luz, golo acabou por chegar: aos 39', Paulo Oliveira fez uma asneira, quando pressionado na construção - Benfica foi estando forte na recuperação e o SC Braga reagiu mal a essa pressão - e Dahl serviu Pavlidis fora da área. O grego encheu o pé e fez o 1-0. Esperava-se uma resposta bracarense, mas os comandados de Carlos Carvalhal continuavam a deixar a desejar com bola.
Percebendo que a sua equipa tinha deixado muita a desejar com bola na 1ª parte, Carvalhal colocou, ao intervalo, Robson Bambu - para tentar um melhor controlo da profundidade - e Fran Navarro - nova vida ao ataque. Os Gverreiros subiram linhas, ficaram mais atrevidos com bola, mas também menos resguardados defensivamente. Faltando ainda essa ligação no último terço, Carvalhal foi ainda mais atrevido e promoveu a entrada de Gharbi aos 58', assumindo o 4x2x3x1/4x4x2, com Horta a médio ofensivo/segundo avançado.
O jogo estava mais partido, com mais espaço na zona central, e, por isso, mais imprevisível. Bruno Lage tentou trazer estabilidade, em vez de entrar na onda das transições, e refrescou o meio campo com Leandro Barreiro, baixando Aursnes para a lateral direita, mas o SC Braga estava de atenções viradas para o ataque e tentava assumir as rédeas, embora ainda dependente de iniciativas pessoais.
Sem ninguém que assumisse verdadeiramente o jogo, este passou por uma fase algo descaracterizada, de menor ritmo, mesmo estando um resultado sensível, para qualquer lado. Ambos os treinadores procuraram mudar o rumo de um jogo perigoso, com o aproximar do final do tempo regulamentar, e refrescaram os respetivos ataques. Aí, Schjelderup foi o elemento mais desequilibrador e chegou a estar perto do golo numa grande transição, mas Hornicek esteve bem e o Benfica teve mesmo que se aguentar ao resultado nos instantes finais.
Conseguiu essa missão, perante uns Gverreiros desesperados e desinspirados, e acabou por carimbar a passagem às meias finais da Taça de Portugal, onde vai defrontar o Tirsense, do Campeonato de Portugal.